ANGOLA

Reconstrução Nacional

Ainda mal saí da minha estupefacção! Tenho de reflectir um pouco antes de começar a escrever. Veio parar-me às mãos um livro "Angola, Reconstrução Nacional", editado por Edições DEPPI, Realização DELROISSE, (sem data) publicado pelo Governo de Angola.

O título é sugestivo e, como Angola é a terra onde nasceram a minha esposa e os meus filhos e minha pelo coração, foi com grande curiosidade que o abri para ver o que de novo terá sido feito nessa terra tão martirizada cujo povo merecia ser feliz, já que nós, por força das circunstâncias que nos foram impostas e contra a nossa vontade, não nos foi possível usufruir de uma riqueza que criámos com o nosso esforço e trabalho. É possível que depois da edição deste livro fossem feitas obras de reconstrução mas, mesmo assim, fiquei decepcionado com o que li e vi.

Coloquei neste site fotos de Angola dos anos 1965/75 mostrando uma terra próspera da qual desejávamos fazer uma Nação independente para todos, sem distinção da raças, porque todos nós éramos filhos de Angola senão de nascença mas pelo coração como era o meu caso e de muitos outros milhares de portugueses que investimos lá o que tinhamos e o que ganhámos, inclusivamente alguns vendendo os seus bens em Portugal. Angola foi a nossa querida terra onde desejava criar e educar os meus quatro filhos, envelhecer até morrer. Infelizmente, devido à cegueira política de alguns ultra esquerdistas do MFA do 25 de Abril em Portugal e da ambição desmedida dos representantes dos três Movimentos de Libertação angolanos, a nossa vida e a de muitos dos nossos compatriotas, amigos e irmãos angolanos, desmoronou-se.

Na capa do livro como imagem de apresentação, mostra a Serra da Leva sem nenhum comentário fazendo crer ao mundo que esta magnifica obra de arte que em 19 km de extensão faz um desnível de 1.300 metros, foi projectada e feita por nós portugueses e angolanos e não pelo actual governo de Angola que presentemente, não tem nos seus quadros pessoal com gabarito técnico para fazer um empreendimento desta dimensão. É bom que os angolanos que por lá passarem se lembrem que fomos nós, os portugueses, que fizemos essa obra gigantesca tal como a da barragem hidroeléctrica que Cambambe cuja foto não foi colocada no livro e que fornece energia eléctrica a Luanda e permite a irrigação das plantações de cana-de-açúcar.

Foi recentemente acabada de construir outra barragem hidroeléctrica construída pelo brasileiros e com turbinas e restante material de origem russa. Ao que parece, não foi possível até há pouco tempo transferir essa energia para Luanda porque as linhas de AT não tinham capaciade de transporte ou porque a enrgia fornecida pela dita central seriam 100VAC incompatível com a de Cambambe.


A estrada da Serra da Leva umas das grandes obras de engenharia
feitas pelos Portugueses.


Barragem de Cambambe (foto Era Uma Vez...Angola, Paulo Salvador)

Na introdução ao dito livro, "ANGOLA DE HOJE E DE SEMPRE", faz-se uma descrição sumária deturpada na sua essência da história de Angola. Na página seguinte (que podereis ver no original), em: INICIA (INÍCIO) DA LUTA ARMADA, descreve-se o 4 de Fevereiro de 1961 que marcou o início de uma nova fase de luta do MPLA que nós já anteriormente referimos. Seguidamente passa-se para INDEPENDENCIA NACIONAL (1974/1975).

Será que no calendário Angolano nunca existiu 1961? Os actuais governantes certamente se envergonhariam de mostrar ao mundo as atrocidades praticadas pelos assassinos drogados da UPA no Norte de Angola em 1961. Podereis ocultá-lo aos vossos jovens nos livros de história do ensino básico mas não podereis ocultá-lo do mundo da Internet o que se passou em 1961 no Norte de Angola, porque neste site descrevo minuciosamente toda a verdadeira história, ilustrada com fotografias chocantes para qualquer ser humano e por vós deliberadamente ocultadas do mundo dada a sua brutalidade e selvajaria inacreditáveis. Houve a resposta adequada pelas tropas portuguesas mas, nestes casos, como é óbvio, haveria certamente também "excessos" não poderemos negá-lo.


Cabeças de bailundos degolados pelos assassinos da UPA no
Norte de Angola em 1961 (foto Horácio Caio).

Falei com um amigo e vizinho que nessa altura viveu no Norte de Angola de 1944 a 1975 que me relatou com toda a exactidão o que se passou que não corresponde, minimamente, à descrição da vossa versão esclavagista. O que descreveis foi em tempos remotos em que os escravos de toda a África eram "exportados" para a América, Brasil incluído. Havia sim, alguns aberrações que mais tarde foram corrigidas.

A propósito de escravos, contava-se em Angola um lenda sobre Tala Mungongo. Um grupo de escravos cangados (acorrentados) que estavam sendo transportados para o litoral para embarcarem para o Brasil, acampou na base de um morro. À noite os escravos foram desamarrados mas um deles conseguiu evadir-se com o filho pequeno que levava. Como era um homem forte conseguiu fugir dos perseguidores morro acima. Como viam que não conseguiam alcançá-lo desistiram. Eram menos um escravo. Ao amanhecer o escravo chegou ao cimo do morro pega no filho e erguendo-o exclama: Tala Mungongo que significa: Olha o Mundo (a liberdade) !

No vosso livro traduziram os textos em Alemão e as legendas das fotos estão em quatro idiomas, mas posso garantir-vos senhores de Angola que este site quando me for possível será traduzido para Inglês, actualmente a linguagem universal para que o mundo conheça o que se passou. Este site é tão aonhecido no mundo da Net que basta procutar na Google por "Memorias Angola" que logo aparece em primeiro lugar. Decorrido o tempo que foi editado pela primeira vez, actualmente é conhecido em todo o Mundo Lusófono e é considerado o melhor site sobre o tema na Internet tendo sido visitado actualmente (Novembro de 2011) por mais de 170.000 pessoas. É aqui que os Mwangolés vem aprender o que lhe não ensinam nas escolas. 


Avenida marginal, Luanda,  1970 (foto Net)

Nestas imagens vê-se o movimento que tinha a avenida marginal (actualmente 4 de Fevereiro) pelos veículos estacionados no cartão-de-visita de Luanda. Foi publicado recentemente em Portugal pela Visão, um livro "África 30 Anos Depois" e, logo no início do livro, uma fotografia da baía de Luanda à noite. As fotografias são de Gonçalo Rosa da Silva e o comentário é o seguinte: "A baía de Luanda, eternamente luminosa e elegante. O cartão-de-visita da capital angolana pouco mudou nos últimos trinta anos, mas, por detrás do postal, cresceu uma miséria colossal, deixando o poder político e económico literalmente cercado por musseques numa metópole de mais de 4 milhões de habitantes".


Avenida Marginal à noite, "Angola 30 Anos Depois", (foto Visão).

Outra foto ex-libris de Luanda que não foi publicada no vosso livro. O edifício do Banco de Angola, talvez porque essa imagem viesse a recordar aos portuguess que foram obrigados a abandonar Angola não reavivarem a memória do ROUBO descarado a que foram sujeitos porque não lhes foi permitido levantarem os seus depósitos, para alguns as economias de toda uma vida de trabalho e sacrifício que vós usufruis-tes com o consentimento do então MFA comunista pós 25 de Abril. Qualquer governo sério teria relutância em usufruir o capital alheio, refiro-me a milhões de escudos. Porque não autorizaram o reembolso desse capital ? O mesmo se passou com os funcionários públicos que descontaram durante anos para o Cofre de Previdência dos Funcionários Píblicos de Angola e nunca tiveram oportunidade de reaver esse capital mesmo requerendo-o ao Governo de Angola.


Banco de Angola em 1975, (foto Era Uma Vez...Angola, Paulo Salvador)


Monumento do Kinaxixe (foto Angola, Reconstrução Nacional)

Neste monumento no largo Kinaxixe (atualmente o mercuado foi demolido) onde fica o mercado que nós construímos para que as kitandeiras que vendiam nas ruas e outros vendedores e pescadores de todas as raças sem distição pudessem, com higiene e conforto, vender os seus produtos, retiraram a estátua em memória aos combatentes da Grande Guerra que tinha a seguinte inscrição:"Portugal aos seus combatentes europeus e africanos da Grande Guerra, 1914 -1918".  Demoliram a estátua e, no seu lugar, colocaram uma carcaça de um carro de assalto provavelmente fornecido pelos vossos camaradas e amigos soviéticos que vos ajudaram desinteressadamente na luta contra os colonialistas. No entanto, além de outras benesses, tiveram de pagar caro aos vossos camadaradas cubanos essa ajuda desinteressada de biliões de dólares na compra de material bélico (a maior parte na sucata destruido) que provavelmente ainda hoje estareis pagando!


Mercado Kinaxixe (foto Net)
Actualmente demolido para construir um centro comercial

Tive conhecimento  que a "carcaça" foi substituida por uma estátua da Raínha Jinga Mbandi. Eis uma boa opção porque a Raínha Ginga foi uma Heroína.


Monumento Raínha Jinga Mbandi (foto Net)


Ex-Largo Pedro Alexandrino (foto particular 2006)

No lugar onde estava a estátua de Pedro Alexandrino, cujo pedestal se encontra vazio, sugeria-vos colocar lá uma estátua em bronze de Rosa Coutinho o camarada almirante vermelho e TRAIDOR português com a seguinte inscrição: "Em homenagem ao almirante vermelho Rosa Coutinho e aos camaradas comunistas do MFA do 25 de Abril que entregaram Angola de mão beijada ao camarada e amigo Agostinho Neto e ao MPLA".   Como Rosa Coutinho é mestiço não destoaria.

Os vossos generosos amigos e camaradas da URSS, depois da barriga cheia e com a casa deles completamente desarrumada, deram o fora.  Os mesmo aconteceu com os vossos queridos "compañeros" cubanos (cerca de 50.000) quais aves de rapina sacaram TUDO o que puderam levar para a sua miserável Cuba deixando em Angola mais de 10.000 mortos. Angola teve de pagar milhões a Cuba pela sua "generosa ajuda" (internacionalidade) como dizia Fidel.


Pungo-a-N'Dongo (Pedras altas) (imagem de 1890, Memórias de Angola, João Loureiro)


"A histórica pegada da Raínha Jinga - Malange"

Colocaram no vosso livro estas últimas duas últimas imagens sem nenhuma explicação sobre a povoação de Pungo-a-N'Dongo, ou Pungo Andongo conhecida como Pedras Negras mas que na realidade significa Pedras Altas que em tempos remotos foi um presídio. Etimologia do Nome de Pungo-N'Dongo: Pungo-a-Ndongo, antes de para lá ir morar o rei Filipe, tinha o nome de Matadi Maupungo (Matadi ma upungo) que quer dizer Pedras Altas. Essa pegada da Raínha Jinga é uma imagem para turista ver mas sem fundamento algum.

A incrível História da Raínha Jinga Mbandi, D. Ana de Sousa, está descrita no livro História Geral das Guerras Angolanas, 1680, António de Oliveira de Cardonega, Tomo I, Agência Geral do Ultramar, Lisboa 1972, páginas 154 a 167.  Perguntei à pessoa que me deu a informação acerca da estátua da Raínha Jinga se ela conhecia a sua história. Ouviu falar!  Por isso aqui vai a história da Raínha Jinga, D. Ana de Sousa para que outros angolanos a possam conhecer.

As industrias que mostram nas diversas imagens do vosso livro foram espoliadas aos portugueses e não construídas por vós. Foram pouquíssimas as que continuaram a laborar bem ou mal mas a maior parte pararam por falta de técnicos competentes (que foram expulsos e chamados de colonialistas facistas) que  não conseguireis formar outros para os substituir nem nos próximos 50 anos. Dizem no livro no capítulo INDÚSTRIA, "que a indústria em Angola se caracterizava pelas grandes distorções e desiquilíbrios e que ao lado das industrias modernas se encontravam indústrias com métodos artesanais". Isso não é verdadeiro. Angola nessa altura já era auto-suficiente na indústria e não só. Havia por toda a Angola grandes indústrias que alguns patriotas vossos e os cubanos saquearam. Os empresários que foram obrigados pelas circunstâncias já referidas a abandonar essas empresas foi pelo mesmo motivo que eu abandonei a minha casa, os meus bens e até o meu emprego de Chefe de Serviço Técnico de Telecomunicações dos CTT.

Tenho conhecimento que, actualmente há em Angola grande investimento estrangeiro que vos ajudará a repor as infra-estruturas danificadas pela guerra como o Caminho de Ferro de Malnge e de Benguela e, sobre tudo, as estradas que actualmente a maior parte está reconstruida passados tantos anos.


Endiama (foto Net)

Dizeis no vosso livro: "Que após a independência nacional, o sistema Micro-Ondas foi revisto e face à necessidades, entretanto manifestas, de segurança, bem como o facto de não comtemplar as localidades do interior e leste do País, projectou-se e adjudicou-se um sistema complemantar de transmissão transhorizonte. A rede suporte passa, assim, de um absoleto VHF para uma portentosa rede de mico-ondas a transhorizonte. De menos de uma centena de camais telefónicos em uso, passa-se, agora a ter à disposição mais de um milhar, além das facilidades de transmissão Radiofónica e TV".

Senhores de Angola, eu que ajudei a instalar parte do tal obsoleto equipamento de VHF entre Luanda, N'Dalatando, Uige, Cela (Wacu Kumbo), Huambo, e Huila, instalei também entre Luanda e Viana um sistema de UHF que respondia e certamente responde actualmente às necessidades das telecomunicações entre as duas localidades. O obsoleto VHF permitia comunicações intermédias que não serão possíveis com os sistemas transhorizonte tal como o equipamento da Gulf Oil entre Luanda e Cabinda. Sabem porque motivo as telecomunicações falharam em 1975 ? Pois bem, eu digo-lhe. Os vossos compatriotas e camaradas roubavam o gasóleo dos depósitos das estações repetidoras isoladas que alimentava os geradores fazendo assim paralizar todo o sistema por falta de energia.

Como esse sistema já não respondia às necessidades da altura, foi projectado um sistema por micro-ondas (SHF) pelo litoral que não sei se chegou a ser implementado. Ainda tenho aqui os manuais desse equipamento para recordação. Num país civilizado como Portugal e outros da Europa, o sistema mais apropriado de telecomunicações é por micro-ondas que podem transmitir milhares de canais. Os repetidores isolados no cimo dos montes normalmente são alimentados pela rede pública mas se tivessem geradores, certamente o gasóleo para os alimentar não seria roubado dos depósitos.

Soube recentemente que o velho e obsoleto equipamento de VHF foi apenas parte instalado em algumas localidades e o sistema de microondas desmantelado e instalado noutras localidades onde era necessário e mais adequado. O resto das telecomunicações entres as principais cidades é, actualmente, feito por satélite dada a grande distância entre elas. É uma sistema fiável que permite não só a transmissão de canais de voz, telex, internet e televisão como podereis ver na imagem abaixo. Segundo informações fidedignas que obtive recentemente, Angola actualmente está bem servida de telecomunicações talvez até um dos melhores dos paises africanos, exceptuando os serviços de telemóveis que ainda se limitam praticamente às cidades.

Foi a guerra civil que o MPLA no início moveu contra os outros partidos com a ajuda do vosso camarada almirante vermelho Rosa Coutinho e outros camaradas do MFA, que vos deram as armas e equipamentos do exército português e o pessoal que passou à reserva e vos permitiu desembarcar secretamente em diversos portos ainda muito antes da independência, equipamento bélico moderno proveniente da Rússia (já expliquei isso detalhadamente) que nos tornou a vida impossível com a intencional guerrilha urbana em Luanda e noutras cidades para expulsar os outros partidos e nós, até mesmo com risco da nossa própria vida, apoderando-se depois dos nossos bens que os patriotas e, defensores do povo, nunca tiveram competência para construir.  Talvez os milhares de camaradas chinocas que tem ido recentemente para Angola e, com cujo governo, fizestes recentemente contratos chorudos para a exploração de diamantes, ferro, cobre e outras matérias primas, vendendo-lhe 30% (?) da vossa produção de petróleo, vos ajudem colonizando a vossa terra mas, tal como o velho ditado que diz: "mudam-se as moscas mas a merda continua a mesma" só que desta vez para pior, porque eles nem sequer vos entendem.


CECIL, empresa cimenteira constuída pelos protugueses.

As restantes fotos do vosso livro são triviais, mostrando uma agricultura e industria de subsistência primária, própria de um país do terceiro mundo. Porque não mostraram fotografias das grandes fazendas de café que os brancos foram obrigados a abandonar com milhares de toneladas de café que foram vendidas ao desbarato, das companhias algodoeiras, das minas de ferro da Jamba e de Cassinga, dos caminhos de ferro como o CFB tantas vezes sabotado pelas tropas do Savimbi? Porque não mostraram também as imagens do Kuito e do Huambo? Aí sim, o mundo poderia ver a vossa competência para destruir o que foi construído com o trabalho dos chamados colonos. E agora o que pretendeis fazer a essas cidades em ruínas, as mais lindas de Angola? Certamente nada durante anos até porque até a linha férrea que ligava Lobito a Teixeira de Sousa passados todos estes anos, na data que escrevi estes comentários, ainda nem sequer estava toda operacional. Atualmente já chega ao Huambo e as cidades de Kuito e Humbo já foram em pequeníssima parte reconstruidas. É certo que tem havido progressos na indústria e na agricultura mas estais ainda muito longe da nossa vivência com o povo comum que era em 1975, não no aspecto da construção em Luanda de grandes prédios mas no que se refere aos musseques onde o povo actualmente vive na miséria total.

Ver http://petrinus.com.sapo.pt/luanda2.htm


Kuito depois da guerra civil (foto Visão)

Publicais fotografias do actual ensino em Angola como se no nosso tempo não houvesse escolas para todos por todo o País, em Luanda e noutras cidades até em cada musseque.  A minha esposa deu aulas no Musseque Catambor que ficava perto da nossa residência onde os meus filhos estudaram juntamente com os moradores do bairro negros e mestiços. O que mostrais ao mundo neste livro sobre o ensino é apenas uma pálida amostra do que era o ensino obrigatório até ao básico que existia em 1975 para todos os jovens, sem distinção de raças.


Escola numa povoação do interior depois da guerra civil,
foto ACT Angola digital Net.


Já em 1974 se dava formação a todos os níveis (foto Capital - Suplemento Angola, 1974)


Sala da aulas da Escola Primária Nr.8 em Luanda onde a minha esposa trabalhava.


Escola Primária Nr.8 em Luanda onde o Presidente
José Eduardo dos Santos estudou (foto Net)


Exército português com angolanos (foto Net)

Depois o ensino secundário igualmente para todos até ao universitário. Havia professores competentes que ensinaram a milhares dos vossos jovens (e a vós também os actuais governantes) o necessário para poderem singrar na vida. É certo que actualmente o ensino liceal e universitário está evoluído em Angola mas não é para TODOS!

E para confirmar o que escrevi sobre o ensino e o emprego em 1975 dos quadros angolanos, vou transcrever un excerto do texto da pg. 126 do livro "ANGOLA NO PERCURSO DE UM NACIONALISTA" com Adolfo Maria um membro da Revolta Activa do MPLA, quando regressou a Luanda depois do exílio:

(...)  F. P. - O que é que sentiu quando regressou a Luanda?

A. M. - Os primeiros quatro a partir foram no avião da carreira de Brazzaville para Ponta Negra, daqui para Cabinda em avioneta e depois para Luanda no avião de carreira da TAAG. Na aproximação a Luanda, procurávamos pontos de referência, em particular a baía. Deslocávamo-nos de janela para janela no avião para melhor ver a aproximação, o que causou espanto entre os passageiros. Já muito perto de Luanda, vislumbrámos finalmente a baía - esplendorosamente refulgente à luz do sol - essa baía à qual estávamos tão ligados desde a nossa meninice. Era cerca uma hora da tarde e eu até tinha a impressão de sentir o cheiro do mar da maresia. Parecia que tinha caído num poço bom da infância, como que a renascer!

Emocionei-me sim, mas contidamente. Aliás assaltavam-me senti­mentos contraditórios: os patriotas regressavam à terra, alguns depois de quase treze anos de exílio e combates vários, mas também voltávamos como proscritos por uma parte dos companheiros de luta, os seguidores da direcção do MPLA. Havia essa situação e também grandes apreensões quanto ao que se iria passar. De facto, o coração estava muito dividido entre a alegria do regresso à pátria e a preocupação pelo futuro dela. A inquietação toldava a emoção do ansiado regresso!

Já em terra, fui-me apercebendo das profundas modificações que Luanda sofrera. No aeroporto havia muito mais movimento do que aquele que eu conhecia: o grande vai e vem de aviões (de carreiras internas e externas) e de pessoas deixaram-me aturdido. Na cidade o trânsito tinha-se multiplicado exponencialmente e havia toda uma série de novas avenidas, prédios altos e lojas... Aquela era uma outra Luanda, o cosmopolitismo era visível, a paisagem humana também bem diferente da de treze anos atrás. Senti um certo “dépoysemmt”.

F. P. - Como é que se procedeu à instalação da cúpula da Revolta Activa em Angola? A Revolta Activa conseguiu difundir-se a todo o território ou ficou adstrita à zona de Luanda?

A. M. - A primeira coisa que fizemos após o regresso foi procurar um emprego, uma vez que não tínhamos qualquer tipo de subvenção de ninguém. A nossa procura foi facilitada por dois factores: por um lado, muita gente tinha confiança em nós, pelo que nos ajudaram a encontrar trabalho; por outro lado, o governo português já tinha a preocupação de angolanizar o funcionalismo público, pelo que arranjámos rapidamente trabalho.

Por exemplo, Amélia Mingas e Jota foram colocados como professores do liceu, a Maria do Céu e a Maria Helena foram trabalhar para o Centro de Investigação Pedagógica (CIPIE), um organismo da Secretaria Provincial da Educação. Gentil Viana foi para a Conservatória do Registo Automóvel e também dava aulas na Faculdade de Economia, na Universidade de Luanda (ficaram na memória de muitos estudantes as suas aulas, pela riqueza teórica e pela explanação viva de Viana e a maneira como ele suscitava o raciocínio e o debate entre os estudan­tes). Joaquim Pinto de Andrade foi nomeado director do CIPIE.

Fernando Paiva ficou colocado nos Serviços de Aeronáutica Civil. Os que eram médicos, como Vieira Lopes, Hugo de Menezes, Videira, foram colocados nos hospitais. Eu fui dirigir o Centro de Documentação dos Serviços de Planeamento da Secretaria Provincial com aquele nome e que se tornou Ministério do Planea­mento no governo quadripartido de transição para a independência.

Já agora aproveito para recordar acontecimentos e pessoas nesse período de pouco mais de um ano que passei nesses serviços. Encontrei aí o velho Silas, uma referên­cia para mim, um dos antigos presos políticos. Tinha militado com Neto em Luanda em 1960 no MINA, era agora adepto da direcção do MPLA. Desapare­ceu, ainda antes da independência, dizem que assassinado por críticas que fez. Também um jovem inteligente que trabalhava comigo no Centro de Documen­tação, chamado Divengle, foi morto depois do 27 de Maio de 1977 por per­tencer à facção de Nito Alves.

Eu soube disso anos depois. Nesses Serviços de Planeamento havia excelentes quadros técnicos que tinham trabalhado até ali às ordens da administração colonial e que estavam entusiasmados em trabalhar agora para o MPLA. Eram mestiços e brancos, estes em maioria. Uns dialogavam comigo e respeitavam-me. Outros, como Mário Nelson, um branco, era-me francamente hostil e exibia um revolucionarismo afrontoso que me pasmava por ser tão fresca a sua adesão à luta de libertação. Mas uma vez fui a despacho com Saydi Mingas, Ministro do Planeamento no governo de transição. Saydi cumprimentou-me cordialmente, conversou comigo sobre a família e, num tu cá tu lá, rindo, até falámos brevemente de algumas coisas do nosso comum passado no MPLA. Mário Nelson, que era chefe de gabinete do Ministro Mingas, assistia constrangido". (...)

Mostrais também hospitais. Que significam essas pobres imagens comparadas com a realidade do que era o hospital Maria Pia, actualmente "baptizado" com o nome de Josina Machel (que deixas-te degradar e agora depois de tantos anos foi restaurado) do de S. Paulo e o Universitário a que agora chamais de Dr. Américo Boavida? E as maternidades existentes em todas as cidades, uma delas a de Luanda, recentemente construída com equipamento do mais moderno? Tal como no ensino e nos serviços públicos, havia bons hospitais por toda a Angola e os serviços de saúde eram para TODOS sem excepção. Terão hoje o mesmo atendimento que em 1975? Pelo que li não, muito longe disso e só actualmente foi instalado equipamento de radioterapia. Além disso, tem falta de médicos competentes. Foi contruído um novo hospital pelos chinocas mas durou pouco tempo porque teve de ser abandonado por causa do perigo eminente de derrocada.



O olhar triste e a postura deste menina diz tudo

(fotoAngola digital fotos Net)


O mesmo com este velho refugiado, foto ACT Angola digital fotos Net.


Pesquisa no lixo num musseque de Luanda e meninos desalojados no Lobito depois de 1975 (fotos África 30 Anos Depois, Visão).

 
http://www.youtube.com/watch?v=EvtHgxz0W50


Desalojados em Luanda, foto ACT Angola digital fotos Net.


Desalojado e venda de peixe seco na rua, fotos ACT Angola digital fotos Net.


Comendo na rua (foto ACT Angola digital fotos Net).


O regresso ao "kimbo", foto ACT Angola digital fotos Net.

Vejam nestas fotos como vive a vossa gente que durante a guerra civil vieram do interior aos milhares e se refugiaram nos musseques vivendo na maior miséria. O que eles lucraram com a independência? Nada, porque a vida deles continua pior que dantes e só alguns, os previligiados e kuribecas lucraram com isso. A população de Luanda actualmente é estimada em cerca de 6 milhões de habitantes quando em 1975 eram cerca de 600 mil. Vêde nesta foto do Google Earth no que foi transfornada a Praia do Bispo. Reparai na água do mar que tem cor negra por causa dos detrinos que nela são despejados.

Porque não mostraram neste livro as fotografias de milhares de crianças e adultos estropiados (cerca 30.000) pelos 18 milhões de minas anti-pessoais que vós, MPLA e UNITA colocaram  à "balda" na mata, nos caminhos e até nos acessos às lavras?


Minas, foto ACT Angola digital fotos Net.

Iinfelizmente não há próteses para todos porque o dinheiro das riqueza de Angola que é de TODOS é gasto para outros fins pelo Presidente ZeDú , pela sua filha Isabel e Tchizé e pelos "kuribekas" e o povo fica em último lugar. Essas mesmas crianças fazem as suas próprias próteses com pau e com o que conseguem tal como faziam os seus brinquedos por mim tantas vezes vistos.

Vê-de aqui neste link como vivem os ricos em Angola:  http://kuribeka.com.sapo.pt/Luandacara.htm   Isto está correcto? A riqueza de um país não é de TODOS?


Grupo de estropiados pelas minas e próteses ofeceridas pelos Veteranos do Vietnam da
Fundação Americana, foto ACT Angola, digital fotos Net.

Actualmente no vosso país impera o descalabro como o mercado negro do Roque Santeiro num dos musseques de Luanda (actualmente extinto) , onde se vende de tudo inclusivamente se cambia dinheiro com a complacência do Governo. A riqueza é só para uns quantos porque os cidadãos comuns continuam na pobreza e alguns até suspirarão pelo tempo em que nós estavamos aí.


Mercado negro do Roque Santeiro, Luanda (foto net)


É nestas casas deixadas pelos "colonos" e que o estado confiscou
que vive actualmente a classe média de Luanda. (foto Net 2006)


Lindas vivendas construidas pelos antigos "colonos" e confiscadas.

Esta linda vivenda tal como milhares de outras foram todas confiscadas pelo estado e depois distribuídas pelo povo. Há nesta imagem um pormenor que me chamou a atenção da incúria e incompetentência dos responsáveis pela cidade de Luanda. O candeeiro que se encontra mesmo em frente à casa nem sequer tem um globo de vidro para iluminação ou uma simples lâmpada e, além disso, à altura das mulheres está degradado. Passa-se o mesmo com os elevadores e outros acessórios necessários à vida diária dos habitantes de uma cidade civilizada e que não foram jamais reparados. É esse o progresso apregoado pelos governentes de Angola. Certos moradores vindos dos musseques que ocuparam estas vivendas até criam porcos e galinhas dentro de casa nas banheiras da casa de banho! Em plena baixa de Luanda as casas dos antigos comerciantes estão abandonadas!

Angola tem actualmente cerca de 6 milhões de habitantes a maior parte habitando nos musseques onde não têm as mínimas condições de sobrevivência porque não tem saneamento básio nem água e nem luz. Daí actualmente grassar em Angola uma grande epidemia de cólera com 25.226 casos e mais de 1.034 mortes em 4/5/2006.


Musseque da Praia do Bispo (foto 2006)



Musseque de barracas de zinco do Bungo (foto 2006)


Conservação e secagem de peixe na Baía Farta - Benguela

O tema do vosso livro é "Reconstrução Nacional" e, como não tem data, não se sabe a que anos se refere mas esta secagem de peixe na Baía-Farta, Benguela, não foi construída (ou reconstruída) por vós mas pelos portugueses bem como as traineiras que se vêem atrás. Vê-de na fotografia os pilares de madeira degradados pelo decorrer dos anos e que sustentam a armação da secagem.

 

Bairro social construido em Luanda depois de 1975.


"Projecto Nova Vida" fotos Angola Acontece.


Luanda Junho de 2006.

Vi no site "Angola Ancontece" http://www.angolaacontece.com/index.php que ultimamente tem sido construídos bairros sociais (Projecto Nova Vida) para alugar ou vender a crédito a funcionários publicos e a particulares mas não me parece que a maioria dos cidadãos tenham posses para comprar ou pagar uma renda dessas habitações e, por isso, ficarão tal como estão nos bairros de lata. Foram também construídos na capital outros edifícios por firmas importantes para as suas instalações, hoteis e outros prédios de 20 andadares na Marginal mas tudo isso como é evidente só para os ricos. Noutras cidades de Angola têm sido construidos ou reparados alguns edifícios públicos e particulares mas levará ainda muitos anos para que Angola seja a mesma que nós deixámos. As estradas principais continuam ainda practicamente intransitáveis entre as principais cidades excepto Lobito Benguela onde está sendo ou já foi construida por uma empresa portuguesa uma auto-estrada. Outras estradas então sendo também reconstruidas pelos chinocas.

Elas são as veias de uma nação e deveria ser uma das primeiras prioridades dos governantes mas alguns deles e seus familiares estão bem mais interessados em enriquecer do que com o bem estar do povo. Algumas linhas férreas já foram e outras estão sendo reconstruídas como a antiga linha CFB Lobito - Luau, do Namibe e esta sub-urbana Luanda-Viana que podereis ver abaixo. Mesmo assim, esta via sub-urbana deixa muito a desejar dada a excessiva lotação de um dos comboios (o mais acessível ao povo) com enorme perigo para os passageiros e a pouca regularidade dos comboios.

E o que se passa com a vossa companhia aérea de transportes TAG? Só está autorizada a voar de favor para o Porto e Lisboa e dalí não passa para a Europa! Incompetência dos vossos pilotos? Falta de manutenção? Os vossos aviões são Boing 777 do melhor. Não dá para entender ou dá mesmo? Vergonha nacional!

Porque razão os comboios não circulam mais vezes diariamente e nos fins de semana como diz o reporter de imagem? Só para fazerdes uma ideia de como as coisas funcionam aqui na Tuga com os comboios sub-urbanos eléctricos com quatro vias (com ar condicinado e aquecimento) da linha de Sintra e Cascais, nas horas de ponta passam de 7 em 7 minutos com uma pontualidade de 98%. Angola é um país rico, porque não fazem o mesmo ou melhor do que nós fizemos? Actualmente pelo que vi, os vossos comboios são chinocas mas razoavelmente bons. É o povo que o pede senhores governantes. Esqueçam as riquezas e os projectos megalómenos como a Torre de 70 andares dos "Negócios Privados dos Generais" e os prédios que vão construir dentro da Baía de Luanda. Cuidem de melhorar a vida desse povo que tanto sofreu com as guerras fraticidas.


Comboios Luanda - Viana Colocado por CAZIMAR


Estrada entre Huambo e Huila. (Foto Net)
Actualmente provavelmente já reparada

E a cidade do Kuito e Huambo para quando serão reconstruídas? Hão-de passar muitos anos infelizmente. Ver os PPS na página do INDICE das principais cidades de Angola com fotos actuais.Tanto quanto sei, pelo menos os edifícios públicos e industriais já foram recosntruídos. Isso foi o resultado da vossa cegueira e da ambição do poder tanto do Dos Santos como de Savimbi. Savimbi já morreu (paz à sua alma) mas vós governantes actuais não sentireis remorsos disso? Tanto sofrimento desse povo para quê? Para ficardes com o poder de uma nação completamente destruída? Não poderia haver um entendimento para evitar essa guerra suja de tantos anos que arruinou e hipotecou o vosso país?


Praia do Mussulo exclusiva  para VIPS (foto Visão)


Miami Beach a praia dos ricos na Ilha de Luanda (fotos Net)


A Praia do Povo  é separada das outras (foto Net 2006)

Visto tratar-se da "Reconstrução Nacional", há fotografias que deveriam ser colocadas neste livro mas elas revelariam ao mundo os desmandos e o desinteresse pelo povo por quem governa actualmente esse país. São as do Futungo de Belas e da Ilha do Mussulo com as vivendas de luxo dos previligiados do governo e seus kuribecas, com as suas praias particulares guardadas por soldados não esquecendo também as fotos do luxuoso avião mandado construir para uso privado do presidente José Eduardo dos Santos. No bairro do Miramar onde moram os ricos podem ver-se pelo menos 8 piscinas. O bairro fica a cerca de 100 metros acima do nível do mar. Não acredito que tenham sido feitos furos a esta profundidade para retirar água salobre dada a proximidade do mar. Esta água é certamente da rede pública para os ricos tomarem banho mas nos musseques logo abaixo não há água potável para beber !

Podem ver-se outras imagens que nos parecem ser condomínios fechados para a classe rica porque além de ter piscinas tem campo de ténis, jardins e outras coisas que só nos bairros de luxo existem. Ao lado como é óbvio, milhares de barracas de musseque. Em Angola actualmente existe um contraste enorme entre os ricos e os pobres ! Vejam nestes "video-clips" o novo "resort" que vai ser construído e a futura cidade de Benguela ! Pelo luxo se pode ver não será certamente para os ricos ! E não é só isto vejam esse mega-projecto dos "Negócios Privados dos Generais". Isto a ser concretizado é um autêntico atentado à pobreza.


Negócios Privados dos Generais: Torre de 70 andares - Angola
Colocado por CAZIMAR

http://www.youtube.com/watch?v=hjL71kGbwNY
http://www.youtube.com/watch?v=9CIvHAGnhA0


TPA - Canal 2 - Canal do Filho do Dos Santos
Colocado por: CAZIMAR

No entanto, muitas senzalas no interior de Angola depois da guerra civil ficaram tal como se vê nas imagens. Estão a ser reconstruídas pelos seus antigos habitantes sem qualquer ajuda a não ser as matérias que encontram no mato. As imagens falalam por si.


Senzala destruída pela guerra civil e reconstrução, Foto ACT Angola digital fotos Net.


Cubata reconstruída, Foto ACT Angola digital fotos Net.

In "África 30 Anos Depois", Visão, publicado recentemente, p. 46:

"Na capital, os meninos disputam as artérias mais entupidas para venderem os jornais da manhã. As manchetes são assassinas, apontando nomes à corrupção e autorias de crimes de sangue. Os políticos arrasados, agora até José Eduardo dos Santos, mas raramente as histórias têm sustentação em factos, o que as torna inconsequentes, e, tal é a cadência, inverosímeis mesmo que verdadeiras. "Há mais liberdade de especulação do que de expressão", comenta Rafael Marques, "Mas o regime já não consegue eliminar as vozes críticas porque estas se multiplicam." O que se fez em Angola depois da partida dos portugueses, adianta, "foi a reprodução do poder colonial – a política de saque com um profundo desprezo pelos povos. Virá o dia, acredita, "que isto vai rebentar por algum lado". Não estará em Luanda para ver (...).

A noite cai num febril sábado à noite. A ilha do Mussulo é invadida por iates e helicópteros privados rumo a um fim-de-semana de descanso em elegantes moradias à beira mar plantadas. A "socialite" luandense divide-se entre a praias e as "soirés" particulares, protegidas por seguranças armados à porta, eventualmente testemunhadas pela revista Caras/Angola. No centro da capital, o Palos fica lotado de estrangeiros e filhos do papá ao som universal pop. O Bahia exibe o esplendor da sua decoração cosmopolita de três pisos (...).

Às mesmas horas, centenas de pessoas encontram-se estendidas nos passeios que circundam o Hospital Josina Machel, dormitando debaixo das luzes ténues dos candeeiros e do enorme slogan "Todos junto para combater o vírus de Marburg". São familiares de doentes internados e estão a postos para uma corrida aos medicamentos nas farmácias ou seringas, soros e demais equipamentos hospitalares porque não é seguro que o pessoal clínico o providencie. Há anos que o cenário se repete, noite após noite, tornando a enfermidade num mal maior ainda. As clínicas privadas acompanham os preços da economia dos abastados: só para eles."

O que vos vale é o petróleo de Cabinda e os diamantes (só para alguns) e, mesmo assim, Angola de uma nação rica e próspera que era em 1974 -1975, é hoje uma das mais pobres do Continente Africano porque foi nisso que a transformaram os chamados libertadores do povo. O professor americano Jhon McMillan refere no seu estudo que, em 2002, "70% dos angolanos viviam com menos de um dólar USA por dia". DN, 07. 07. 2005.

Os diamantes da Lunda depois da morte de Savimbi (que também não era "flor que se cheire") e o petróleo de Cabinda pagam tudo mas a maior parte do povo continua na miséria e, infelizmente continuarão a ser estropiados pela minas anti-pessoais que (MPLA e UNITA) estupidamente colocaram.


Luanda 1975. Os prédios que se estavam
contruindo ficaram tal como estavam. (Foto Net)

Luanda além dos grandes edifícios de 20 andares que estão ou já foram contruídos como já referimos acima, continua praticamente a mesma de 1975 com poucas alterações e os edifícios inacabados assim ficaram (ver imagem acima) tornando-se perigoso para quem os ocupa ilegalmente e, da maneira como as coisas vão, assim irão ficar durante anos, mesmo com a intervenção dos estrangeiros que vos ajudam desinteressadamente. Há outros edifícios que embora já acabados no nosso tempo estão em mau estado de conservação não são feitas obras e mostram essa triste imagem como este prédio nos Coqueiros. Na baixa de Luanda na antiga rua Salvador Correia, naquele tempo o espelho do comércio de luxo de Luanda, está actualmente num estado de degradação e sujeira como podereis observar na imagem vendo-se inclusivamente perto do Hotel Globo uma casa em ruinas! Como é possível tanto desleixo numa das ruas principais da capital ? Nesta imagem panorâmica da Restinga vêem-se alguns prédios em construção e sei que há um plano para a construção de um edifício na Baía de Luanda e outros mais. Mas e o resto? Angola não é só a capital Luanda atullhada de milhares de carros sem nenhuma regra que imponha ordem no trânsito como havia dantes.

Pobre Angola vítima da ambição dos desgovernantes que não merecia um destino tão triste.

E para finalizar. Dizeis que o vosso povo é feliz depois da independência livrando-se para sempre dos colonos. Então é caso para perguntar aos senhores governantes de Angola e dos outros países dos PALOP: se a vida é assim tão boa nos vossos países, é caso para perguntar: porque motivo os africanos, dos PALOP a maior parte de Angola, vêm às dezenas de milhar para o nosso país?


É esta a nossa convivência com as gentes de Angola.
A minha esposa também ela angolana, com um grupo de jovens (patrícios) angolanos.
(foto do autor, 7/8/2005)

A este respeito, falei recentemente com um casal angolano que vive há pouco tempo no nosso país para lhe pedir uma informação sobre a localização de um musseque em Luanda.  Depois perguntei-lhes:

- Agora digam-me francamente, o vosso governo diz que o povo de Angola agora está muito melhor que na altura do colonialismo. Então se é assim, porque razão vocês vieram para cá?

A resposta foi rápida e sem exitações:

- Os governantes mentem, bem estão só alguns mas o povo não. Viemos para aqui porque lá a vida não presta.

Hoje, dia 1/8/2005, estava na rua perto de casa a falar com um amigo que esteve em Angola depois da independência trabalhando numa grande indústria ainda hoje existente. Entretanto, passava uma senhora africana negra talvez com 50 e poucos anos e, voltando-se para nós disse:

- Eu também sou angolana, estava em Luanda e morava na Samba. Disse-lhe que tinha morado na Maianga perto do rio seco e do Catambor. Perguntei-lhe como era presentemente a vida em Angola comparada com 1975 antes da independência. A resposta foi pronta:

- Presentemente, só é boa para alguns, o povo está muito pior que antes da independência. Foi uma burrice o que fizeram.

Expliquei-lhe o que realmente aconteceu porque ela desconhecia visto na altura ser ainda jovem.

Mais um testemunho que confirma o que temos vindo a afirmar. É de realçar o àvontade desta convivência pois a senhora não teve receio algum em interferir na nossa conversa. Era assim exactamente em 1975 e aqui continuará ser o mesmo porque nós continuamos a saber conviver com os angolanos.

Li recentemente  no AngoNotícias o seguinte comentário referente à dificuldade de obter vistos para Portugal. Portugal faz parte do Acordo Shengen e quem entrar em Portugal tem a porta aberta para todos os paises da União Europeia.  Além dos insultos gratuitos feitos por "matumbos" que desconhecem o que se passou em Angola e que se hoje moram numa habitação condigna sem pensarem sequer que ela foi construída por um "tuga" que foi obrigado a abandoná-la dadas as circunstâncias na altura. Mas o que me chamou a atenção foi o comentário seguinte feito por um angolano que nos conhece bem. É pena que seja anónimo. Detesto os anonimatos porque ocultam quem comenta mas este destaca-se de todos os otros ignorantes:

Embaixador português diz que problemas com vistos estão a ser resolvidos.

"O embaixador português em Angola, Francisco Xavier Esteves (na foto), frisou hoje não existir qualquer alteração na política portuguesa para restringir o acesso de cidadãos angolanos a Portugal, assegurando que os problemas com vistos em Luanda estão a ser resolvidos. "As coisas correram mal, mas devo dizer que não houve qualquer alteração na política portuguesa no sentido de restringir o acessos dos angolanos (a Portugal)", afirmou o diplomata português. "Não houve e não haverá", frisou. Francisco Xavier Esteves, que falava aos jornalistas no final de uma audiência com o ministro angolano das Relações Exteriores, João Miranda, assegurou ainda que "não há qualquer má vontade dos funcionários do consulado para impedirem os angolanos de visitar Portugal". "Isso seria um absurdo intolerável", afirmou, recordando que "a maior parte dos funcionários do consulado são pessoas profundamente enraizadas em Angola, que têm aqui a sua vida"(...).

"Comentário: Anónimo. Creio que as palavras do Embaixador são sensatas. Estou com Senhor «João» que aqui comentou também. O pior consulado é o de Angola em Lisboa que nos trata a nós Angolanos abaixo de cão. Se os Angolanos em Angola se queixam dos consulado dos Portugueses deviam vir cá ver como é que os Angolanos tratam os próprios Angolanos no nosso consulado. É como digo: muitos angolanos falam mal de Portugal porque nunca cá vieram,  recebem-nos melhor que nós aí em Angola recebemos os Portugueses. Temos uma trampa de complexo por causa do colonialismo... 30 anos já não é tempo suficiente de ultrapassar isto. Eu aqui sou tratado por igual. Nunca me ofenderam, nunca me maltrataram. Sabem o que é pior: quando apresento o meu bilhete de identidade e diz «raça negra». Ficam chocados e perguntam porque razão o nosso B.I. diz isto. E pergunto porquê consta isto? Os B.I.s daqui não tem nada disso... e os racistas são eles. Temos que ser humildes e aprender com quem sabe e com que nos trata bem. E com os Portugueses podemos ser humildes que não nos põem o pé em cima. Vejam os russos, cubanos, brasileiros e outros sacanas, o que nos fazem? O nosso maior mal é a arrogância. Estes brancos foram os únicos que se misturaram connosco. Os outros têm nojo de nós".

http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=7403

Mais palavras para quê?

Pessoalmente tenho muita pena de que aqui tenhamos "tão pouca terra" (um país pequeno) porque se tivessemos a dimensão da Espanha poderieis estar certos senhores de Angola de que aí apenas ficariam com o povo do mato e os previligiados porque os outros viriam todos para cá. Eles conhecem perfeitamente como foram e são tratados pelos portugueses. Só vós, senhores governantes não o entesdestes. O mesmo se passa com os nossos irmãos brasileiros. Mesmo assim, cá nos vamos arranjando como pudermos em paz e harmonia.

Uma pessoa minha conhecida que esteve recentemente em Angola, foi à cidade alta para ver o Palácio do Povo antigo Palácio do Governador Geral. Disse-me que não foi fácil chegar até lá pois eram tantos os soldados a proteger o palácio que mais pareciam "macacos" (sem ofensa) em cima das árvores.

No nosso tempo havia apenas duas sentinelas. De quem terá medo o Sr. Presidente?

Apesar de termos sido espoliados de tudo quanto tínhamos e de termos de recomeçar a vida praticamente do zero, gostaria e espero que esse povo que conheci tão bem fosse feliz com a dita independência !

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